POEMA DA SAUDADE

A noite já ia alta, quase madrugada, e eu seguia com a noite,

Cheguei até a janela, procurei, mas não vi nenhuma estrela,

Estavam escondidas, algumas nuvens opacas, com  certeza,

Nuvens no céu,  nuvens nas cidades, que hoje se apagam.

E  eu estava com você, mas você não estava comigo,

Pois, quase nunca, você esteve comigo.  E eu sinto.

Sinto no coração um aperto que machuca,

Sinto, nos olhos, que eles se avermelham,

Sinto que, um tanto  envergonhados,  eles  choram,

Que eu não consigo ver as estrelas que procuro,

Pois, imaginava, nelas, te encontrar também.

Mas nada vejo, porém eu ainda te sinto e me dou conta,

Que estrelas, hoje, não tem  a menor importância,

E é por isso que eu não te encontro.  Você não existe mais.

Você não existe no céu, não adianta te procurar,

Mas você existe na minha alma, você existe na lembrança

E, percebo, eu sinto saudade.  Uma saudade imensa.

Maior que o céu de estrelas que eu procurei e não achei.

Mas sei que as estrelas existem ainda.   Para uns poucos, talvez,.

Meu céu se perdeu e você se perdeu com ele.  Mas sei que ele existiu.

E ele foi lindo, você a mais infinita e brilhante das estrelas,

Mas não te vejo mais, por isso esta saudade, que é tua,

Que a dor mais funda é a perda daquilo que nos aqueceu a alma,

Com as esperanças mais imensas, os sonhos mais extremos.

Como dói o afastamento que se fez, de tudo aquilo que mais se quis,

Se aquela estrela, infinita, hoje é, só,  uma saudade tão machucada!



Wilson Melo da Silva Filho