CLARISSE

 

Clarisse, que mistérios tens, Clarisse,

que segredos se escondem em tua alma,

que segredos há em teu corpo,

que sonhos terás sonhado, em teus olhos infinitos.

 

Clarisse, que mistérios tens Clarisse,

quantas noites de festa terás conhecido,

quantas vezes terás adormecido em braços muito amados,

quantas vezes terás despertado com a saudade.

 

Clarisse, por ti, tantos olhos mudos terão dito tantas coisas,

coisas que te terão tocado como mãos,

mãos que se estenderam ao teu rosto e, num gesto,

terão te entregado e procurado tanto amor.

 

Clarisse, terás amado,

certamente terás amado,

por esse amor, todo o teu ser terá se transformado,

terá sido como um imenso campo em flor,

que, ao sol da manhã, se perfuma de amor.

 

Clarisse, eu poderia escrever tanto de ti,

sem te conhecer, sem te falar, sem te sentir,

basta te olhar e deixar que a imaginação viaje,

seguindo pelos caminhos de suas formas e do seu coração.

 

Clarisse, que mistérios tens, Clarisse,

que me terão feito pensar em ti,

e, enfumaçado de cigarro, molhado de uísque,

ter-me perguntado tanto sobre ti.

 

 

                                                 Wilson Melo da Silva Filho