NOTURNO II

Suavemente, como a brisa da noite,

Visitou meu coração a lembrança tua.

Era como se estivesses aqui.

Tua voz manhosa, esses teus olhos,

Tão intensamente desprotegidos

A buscar abrigo no aconchego meu.

E eu te acolhi em meus sonhos,

Amei o amor que imaginava em ti

E a forma do amor que se formou de ti,

Envolveu-me de tal forma que me apaixonei,

Pelo imenso amor, que sentia o meu amor por ti.

Docemente abracei-te ao meu coração,

Que, ternamente, se apegou ao teu.

Mas, tudo isso aconteceu ontem, eu acho.

Adormeci, a noite se foi e fostes com ela;

Devagarinho, pouco a pouco, sem alarde,

Tão lentamente que não percebi,

Que eu não acordei com o Sol,

Do dia que se fez e me encontrou sem ti.

No coração eu já não tinha os teus braços,

Só o abraço dessa saudade tua

Que, de ti, foi tudo o que guardei.

Por isso, nessa noite, que agora se faz,

Apaixonado ainda, por tudo que amei em ti,

Gosto de te lembrar, para ainda poder sentir,

Tudo aquilo que tanto senti por ti,

Que de novo faz sentido, por sentir ainda em mim,

O amor intenso, que ontem ainda foi teu,

Mas que hoje, por ti, eu faço apenas meu,

Para que em outra noite, como ontem,

Quando, de novo, puderes voltar,

Ainda possa te amar, como ontem te amei,

Mesmo que, nessa imensa noite que virá,

Meu amor, por ti, já seja de mais alguém.





Wilson Melo da Silva Filho