NOTURNO



 

Nesta noite, povoada de lembranças,

Um pouco de saudade, suavemente,

Visita minha alma e me olha:

Nos olhos.

O que vejo tem a tua forma,

Que, difusa, se confunde com a distância,

Que, confusa, se perde na incerteza,

Da tua volta.

Escolhestes caminhos tão longos....

Um dia, ao acaso, nos encontramos.

Havia, em ti, qualquer coisa doce

E saber-te por perto  fazia-me bem.

Às vezes até ousei sonhar por ti,

Mas sonhar de muito pouco vale,

Se todos os sonhos que eu pudesse ter,

Não soubesse eu como fazê-los por ti.

E eu não era sábio. Ao menos não o fui por ti.

Mas sabia-te por perto. Isso era bom,

Quem sabe, um dia, um verso perdido,

Encantando tua alma, te enfeitiçasse por mim.

Mas todos os versos, por mais que versos fossem,

Eram apenas versos, quisera fossem caminhos,

Que soubessem trazer-te, de encontro aos sonhos meus.

Nesta noite, contudo, visitado pela lembrança,

Dedico a ti, nas palavras desta saudade,

Um pouco desse sonho, que, de novo, sonhei ainda agora,

Na esperança que, mesmo que, nunca, nada seja,

Um pouco de você, que hoje dói em mim,

Possa, quem sabe, revisitando minha alma,

Nela buscar o melhor dessa ternura,

Que, aqui, bem de longe, me cai assim tão doce,

E, mais que nunca, me faz querer tão bem a ti.





Wilson Melo da Silva Filho