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PROTESTO Existem, em ti, coisas que gosto e que não gosto, Porisso aqui vai, em forma de manifesto, Em carta aberta, a voz do meu protesto: Não me incomoda que não durmas, Desde que possas não dormir comigo, Mas me incomoda que durmas, Se é um outro que dorme contigo. Não me aborrece quem te rodeie, Se passageiro, sem nome e sem recheio, Mas me incomoda quem te chama: venha! Se, de mim, me rouba teus instantes E apaga, de teu corpo, o perfume do teu cheiro. Eu, se fosse você, trocava de jardineiro, E como para as coisas do amor, estou desempregado, Ofereço-me, quem sabe, para ser teu contratado. Como pagamento aceito mil quilos dos teus beijos, E mesmo, até, a flor do teu desejo. Em troca ofereço minha ternura e minha mão, A rabiscar, em tuas costas nuas, enorme coração, Que por ser teu, há de proteger-te em cada sonho, Para que, ao acordares, me descubra risonho, Desdizendo tudo o que disse agora: Que, em ti, há coisas que gosto e que não gosto, Pois se gosto de ti, és tudo o que mais gosto, Se gostares, só de mim, não terás nada do que eu não gosto.
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