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MARATONA
Olhei a folhinha e li: 15 de novembro, outra vez E me lembrei, tantos anos faz: 15 de novembro de oitenta, você e eu, à volta da Lagoa, E a Maratona do Rio, pelo Rio correndo, Embora alguns só andando, cá e lá, Outros tantos parando por água, Que a força das pernas lhes fugia já. E eu admirado, ali espantado: Que distância, meu Deus! E a pé! Maratona. Do Rio. E você, Ali, ao lado, olhando tudo aquilo, Sem perceber que entre tantos que corriam, Disparavam-me, no coração, a maratona e você.
Tantas maratonas vieram-me depois E a exaustão das distâncias inumanas, Hoje ainda, tantos anos passados, não exauriu-me dos cantos da alma, Esse bem querer que hoje já não canto, Que cantar-te foi o que eu sempre fiz, Pois que meu canto, de poeta ou 171, Achou moucos os teus ouvidos Ao escancarar das portas, desse que já não corre, Pois a Maratona do Rio acabou, Como acabaram todas as maratonas, E se acabou também a esperança, Que o imenso querer de você, Pudesse se tornar, à volta da minha vida, Como a medalha que se coloca , No peito das maratonas que se completam, Que àqueles que ficaram pelo caminho, Restam, como consolo, as câimbras dos sonhos doloridos.
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