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DE LETÍCIA E ANA CÉSAR
Aqui estou, pensando em Ana César, Com uma ponta penetrante, de profunda nostalgia Que imensa
saudade minha! Acho que gostava de mim, daquele tempo, daqueles sonhos, Que o tempo de Ana César, de algum jeito, foi meu também Gerações, assim tão próximas, se entrelaçam pela vida Que se vai, como se vai toda a vida. Como eu mesmo me afastei de mim. Acho que nunca me conheci. Apenas estive perto. Achava-se, em mim, aquilo que eu era. Mas não fui tudo aquilo. Senti algum cheiro, que as lembranças de Letícia me são claras. Letícia ficou, mas todo aquele tempo se foi e Letícia se foi também. Falo de mim, mas já sou outra pessoa Que as lembranças de Ana César, nas páginas do jornal, Me comovem e me lembram a quem eu nunca conheci. A alergia aos gatos que me fechava os olhos A luz do dia que, me fechava os olhos também Que à noite, num bar, com Letícia, Repassávamos o mundo, aquele que se passava em nós E esse mundo talvez passasse por Ana César, Que algumas poucas mulheres, nas suas almas de mulheres, São diferentes algumas, e por isso, de alguma forma são iguais Perguntas e perguntas, assertivas, afirmações e angústias De Letícia, de Ana César, de tantas mais E esse mundo não me pertence, que aos homens não pertence. Posso observá-lo, posso pressenti-lo, mas lá não acho lugar Que de Letícia e de Ana César sinto falta Pois que uma foi amiga e a outra é retrato e poesias De uma tanto ouvi, de outra alguma coisa li E como, de mundos, tanto falei, falo de mais um Feito de saudade, nostalgia, muita pena e muito encanto Imaginário meu, onde mando e desmando E Letícia e Ana César conversam entre si E desfaz-se o tempo que se foi "For ever young and alive"
Saiba sobre Ana Cristina Cesar
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